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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

14º DOMINGO APÓS PENTECOSTES , 10.09.2017

Predigt zu Mateus 18:15-20, verfasst von Erni Drehmer

Leituras: Ezequiel 33.7-11; Romanos 13.8-14

Cara Comunidade.

            Para quem está à procura de maneiras de lidar com conflitos entre pessoas, eis uma sugestão que parece muito simples. Parece, e é. Sentar com a pessoa e conversar com ela. Antes de acusá-la, de abrir um processo contra ela, antes de fazer grande alarde sobre os erros desta pessoa, sentar com ela e procurar resolver a situação. Se não der certo, chamar algumas testemunhas. Elas vão ajudar a entender e comprovar o que está sendo dito. Se esse segundo momento de conversa não resolver, leve-se o assunto à comunidade. Se ainda não resolver, se a pessoa ainda não conseguir reconhecer seus erros diante da comunidade reunida, aí sim, que ela seja considerada como quem não faz mais parte da comunidade.

            Caras irmãs, caros irmãos. Parece tão simples. Por que não funciona? Como resolvemos nossos conflitos? Não é assim, que em primeiro lugar nos acusamos, até brigamos. Em alguns casos, quando a situação se torna insustentável, se recorre à ajuda da pastora, do pastor, ou da liderança da comunidade. Ou então, infelizmente é o mais comum, alguém acaba se afastando da vida comunitária, com mágoas profundas, ressentimentos que duram anos, feridas que custam a sarar.

            E podemos repetir a pergunta: o que faz com que seja tão difícil buscar o entendimento através do diálogo? Ainda mais no ambiente da comunidade onde deveríamos poder construir nossas relações com base na verdade do Evangelho? O Evangelho que coloca o amor de Deus por nós como base para vivermos em justiça, paz, perdão e reconciliação?

            Em busca da resposta, podemos ler no mesmo capítulo 18 de Mateus, no versículo 10: Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque eu vos afirmo que eu vos afirmo que os seus anjos nos céus veem incessantemente a face do meu Pai celeste. Essas palavras, alertando para que os pequeninos não sejam desprezados, aponta para um problema na comunidade da época: alguns pequeninos estavam sendo desprezados. Ou seja, tinha gente que se achava melhores que outras e as tratavam com desprezo.

            Olhando um pouco para a história descobre-se que o povo cristão estava sofrendo duras perseguições. Os judeu-cristãos foram expulsos de suas sinagogas e os rabinos fariseus passaram a liderar o judaísmo. Os fariseus eram conhecidos por serem fanáticos seguidores da lei. E essa forma de liderar comunidade, se não criava conflitos entre pessoas, certamente dificultava em muito a busca do diálogo para o entendimento. Onde impera o fanatismo da lei para classificar quem está certo e quem está errado, não há espaço para o diálogo, para a compreensão, para o perdão. Onde impera o fanatismo da lei, há sempre os que fazem as leis e as fazem cumprir, e estes geralmente se consideram acima dela e seus perfeitos cumpridores. Para estes, os erros, os pecados, estão sempre nas outras pessoas. Elas mesmas, por serem as que aplicam as leis, estão imunes ao erro, ao pecado. Assim, sem grandes dificuldades, se constrói vida comunitária onde pessoas são desprezadas, julgadas, condenadas, jogadas ao fogo do inferno. Enquanto isso, outras se mantém na autoridade de responsáveis pela condução e segurança do barco chamado igreja.

            Prezada comunidade. Será que mudou muita coisa? Certamente mudou. O mundo hoje é totalmente diferente do tempo das primeiras comunidades cristãs. Vivemos com todas as vantagens e desvantagens que os avanços tecnológicos nos trazem. Podemos saber o que acontece, ao vivo, no mundo. Basta ter acesso a uma rede de internet. As mais diversas informações sobre os mais variados assuntos estão ao nosso alcance: basta digitar algumas letras no computador ou no telefone celular. Podemos ler histórias de amor, de reconciliação, de entendimento, que nos tocam profundamente, até nos fazem derramar algumas lágrimas de emoção e comoção. Até chegamos a comentar: “É isso aí. Que exemplo legal de diálogo essa comunidade apresentou!”

            Mas, desligando o equipamento que nos conecta com o mundo, enfrentamos nosso mundo bem próximo e continuamos a olhar para as dificuldades de relacionamento como se estivéssemos diante de um muro intransponível, assustador.

            E aí, diante do sentimento de impotência, Jesus nos anima com essa fórmula simples da busca do diálogo, iniciando com a conversa individual. Nessa conversa não existe réu e acusador, não existe quem dita as normas e quem as segue cegamente. Essa conversa acontece entre irmãs e irmãos na fé. Pessoas que são pecadoras e justificadas pela graça e misericórdia de Deus. Por isso mesmo, pessoas que estão em pé de igualdade e que precisam, anseiam pelo entendimento e pela reconciliação.

            E isso funciona? Estou convicto que sim. Aliás, a própria palavra de Mateus afirma isso. Não só afirma, mas mostra como é poderoso esse instrumento do diálogo em busca do entendimento. Tanto que, assim diz o texto, “...tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus.” Não é pouca coisa! Deus coloca nas mãos e nos corações de suas filhas e seus filhos um poder imenso. Ele concede quase que uma procuração para realizarmos coisas que terão o seu aval, a sua concordância.

            Mais ainda. E isso é surpreendente. Jesus diz que se dois dentre nós estivermos de acordo em pedir algo, Deus nos concederá. Quanta confiança que Deus deposita em nós! Nós, que tantas vezes nos consideramos tão fracos e pequenos para tomar qualquer iniciativa de mudança.

            O que fazemos com este poder? A chave está na resposta a essa pergunta. Ou seja, a coisa toda não depende mais apenas da vontade de Deus. Ele quer. Ele afirma que podemos usar o diálogo como instrumento eficaz na busca do restabelecimento da comunhão. Por isso, está em nossas mãos uma parte dessa mudança. A iniciativa de tratar as pessoas com respeito, com a dignidade que Deus confere a cada um de nós. Está em boa parte em nossas mãos não mais simplesmente julgar as pessoas, mas de procurar, antes de mais nada, entender os motivos que as levam a agir desta ou daquela maneira.

            Pois bem. Isso facilita tudo, não é mesmo? Infelizmente não. Se eu perguntasse a vocês quem já tentou buscar o diálogo e foi derrotado, tenho certeza que muitos se manifestariam. Muitas vezes tentamos e não conseguimos, ou porque não tivemos forças para dar o passo decisivo, ou porque a pessoa com quem precisávamos dialogar não nos aceitou. Quantas vezes já ouvimos alguém dizer: “ Eu tentei de tudo, mas com essa pessoa é impossível se entender”. Ou, de uma maneira mais corajosa: “ Eu já tentei várias vezes, mas na última hora me falta a coragem.”

            Mais uma vez nos perguntamos: diante de nossa fraqueza, será que o método funciona? Será que Jesus entendia alguma coisa da psicologia do ser humano?

            Diz Jesus em nosso texto: “Porque, onde estiverem reunidos dois ou três em meu nome, ali estou no meio deles.” Jesus não só entende de psicologia, como de tudo de que nós seres humanos precisamos. Ele sabe de nossas fraquezas, conhece as dificuldades que temos que superar para nos sentar com alguém que possivelmente odiamos, para estabelecer com essa pessoa o caminho para a reconciliação. Jesus sabe perfeitamente que precisamos de ajuda para dar alguns passos na vida. Sem essa ajuda, não conseguimos seguir adiante. E essa ajuda vem justamente da constatação de que podemos contar com alguém muito acima e além de nossas forças, para nos ajudar a enfrentar situações das quais sempre fugiríamos com medo do fracasso.

            “Onde estiverem reunidos dois ou três em meu nome, ali estou no meio deles”. Todas as vezes que ouvirem essas palavras, lembram-se que elas não querem servir para justificar a realização de um evento com baixa participação na comunidade. Elas querem nos acompanhar aqui, reunidos em culto, quando sairmos para as nossas casas, em qualquer lugar ou momento que vivermos. Sempre assegurando que podemos contar com a presença de Deus para, através do diálogo e entendimento, construirmos caminhos de paz e convivência fraterna.

            Rogamos que a graça do bondoso Deus mantenha todos os nossos sentidos alertas para percebermos Sua presença constante ao nosso redor. Para nos proteger, consolar, admoestar e orientar. Amém.



Pastor Erni Drehmer
São Leopoldo – RS (Brasil)
E-Mail: ernidrehmer@gmail.com

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