Estimada comunidade!
Estamos no terceiro domingo de Epifania. Epifania significa revelação de Deus. O texto da pregação de hoje revela um Deus que ultrapassa todos os nossos limites imagináveis. Ele vai ao encontro das pessoas, proporcionando vida, perdão e salvação. Mesmo contra a vontade de Jonas, Deus tem compaixão de Nínive e não a destrói. O ápice dessa revelação de Deus se dá em Jesus Cristo, por meio do qual conhecemos que o seu desejo é de que todos sejam salvos.
O que mais conhecemos do livro de Jonas é que este profeta foi engolido por um grande peixe. A história desperta lembranças do Culto Infantil. No entanto, a sua mensagem é bem mais ampla. Ela nos revela um Deus que sempre de novo busca sua criatura caída em pecado. Assim como Deus chamou Nínive ao arrependimento, através de Jonas, também ama e chama cada um de nós por meio de Jesus Cristo. Deus tem a liberdade de agir com amor e misericórdia onde, quando e com quem quiser. Vou contar de forma resumida a história de Jonas.
Jonas recebe de Deus a tarefa de ir a Nínive para chamar as pessoas ao arrependimento. Pois a maldade delas havia chegado aos seus ouvidos. Jonas, porém, foge de Deus num barco que vai em direção contrária a Nínive. Durante a viagem se levanta uma tempestade, e o capitão do navio acorda-o para que também Jonas invoque o seu Deus e peça ajuda. Jonas explica que aquela situação surgiu por sua causa. A seu pedido, os marinheiros o lançam ao mar. Mas Jonas, em vez de afogar, é engolido por um grande peixe Somente então ele fala com Deus. Três dias e três noites o profeta passa no ventre daquele peixe. Depois disto o peixe o vomita na terra. Deus havia interrompido a fuga de Jonas.
Insere-se aí o texto de nossa prédica, o capítulo 3.1-5, 10. Jonas aprendeu a lição. Dessa vez ele se dispõe, vai a Nínive e anuncia que em quarenta dias a cidade será destruída. E acontece um milagre! Todo o povo se arrepende de seus maus caminhos. E Deus, vendo a conversão, não mais castiga a cidade como havia dito.
Pois é! Em vez de ficar alegre com o resultado positivo de sua pregação, Jonas fica amargurado. Fica extremamente aborrecido com a misericórdia de Deus e passa a desejar a própria morte. Contrariado, Jonas se retira de Nínive e fica de longe observando o que aconteceria com a cidade.
Então Deus faz crescer uma planta para proteger o profeta do sol. Mas no dia seguinte, Deus manda uma praga que a devora. E novamente Jonas fica irritado. Incomoda-o o destino da planta. Então Deus pergunta: "Tens compaixão da planta que não te custou trabalho, a qual não fizeste crescer, que numa noite nasceu e numa noite pereceu; e não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas inocentes e também animais"? (Jn. 4.11).
Prezada comunidade! Na primeira vez que me defrontei com a história de Jonas, fiquei impressionada com a sua teimosia e antipatia. A situação mudou quando me coloquei no seu lugar. Antes de julgá-lo, é bom pensar em como nos sentiríamos nós numa situação parecida. Deus convoca Jonas para anunciar arrependimento e destruição. Tarefa difícil! É bem mais fácil falar aquilo que as pessoas querem e gostam de ouvir. Quantos pregadores e pregadoras tem êxito porque falam o que agrada às pessoas. Mais difícil é apontar os erros, chamar ao arrependimento e à mudança de vida. Pregar o arrependimento é tarefa sempre ingrata.
Também o Evangelho de hoje que se encontra em Marcos 1.14-20, convoca ao arrependimento dos pecados. O texto inicia relatando a prisão de João Batista. João Batista chamou as pessoas ao arrependimento e à mudança de vida. Foi perseguido e morto por causa de sua pregação. Algo semelhante aconteceu com Jesus. Ele anuncia: "O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho" (Mc. 1.15). A pregação de Jesus trouxe-lhe a cruz.
Na carta de Paulo aos Coríntios, no capítulo 7.29-31, temos algumas recomendações do apóstolo em relação ao matrimônio, o que nos leva a perguntar sobre como andam os relacionamentos familiares em nosso "tempo de tribulação" Vemos famílias destruídas pelo egoísmo, pela falta de diálogo, por vícios. Quantas vezes também nós somos teimosos, não queremos renunciar à nossa arrogância e deixar espaço para Deus ser Deus e agir conforme o seu querer e liberdade?
Quantas vezes estamos à frente do televisor assistindo ao noticiário policial e queremos que os infratores, os maldosos sejam exterminados! A misericórdia de Deus aos que consideramos inimigos nos deixa irritados, a exemplo de Jonas. Quantas vezes queremos limitar o amor e a misericórdia de Deus dentro de nossos padrões e vontades? Quantas vezes somos tentados como igreja e como cristãos a não fazer a vontade de Deus em sua missão? Somos parecidos com Jonas! Também nós carecemos da misericórdia de Deus!
Prezada comunidade! Epifania nos mostra que a graça de Deus é universal. Ela não está restrita a um só povo, a uma só igreja ou a um grupo determinado. Não podemos manipular Deus nem limitar seu amor e misericórdia. Isto se torna evidente em Jesus Cristo.
Em Jesus Cristo, Deus se compadece de sua criatura caída em pecado de forma ainda mais profunda do que no caso de Nínive. Deus não nos abandona nem nos rejeita, mas acolhe-nos de forma imerecida em sua misericórdia: "Porque o Filho de Deus veio salvar quem está perdido" (Mt 18. 11). Deus age e pensa diferente de nós. Algumas vezes, precisamos passar por lições como Jonas, termos um tempo na "barriga do peixe" para refletirmos, nos arrependermos e deixarmos Deus ser Deus.
Amém.